Bom, Daniel, se foi no mesmo ano, então Quine não pode ser
culpabilizado por não ter lido! :-)

Estou totalmente de acordo com você sobre a contribuição fundamental
do Church para este assunto.  Aliás, quem hoje lê Frege über Sinn &
Bedeutung sem ter em conta o trabalho do Church está marcando passo!

Abraços,
Joao Marcos

2013/11/20 Daniel Durante <[email protected]>:
> Salve, João Marcos,
>
> Pois é, eu concordo com você, discordando!! Anote aí também, porque você não
> vai me ouvir muitas vezes dizendo que o Quine não tinha razão :) mas neste
> caso, eu acho que ele não tinha razão em sua implicância com a teoria do
> significado nem na época em que escreveu o texto (1951)!! Neste mesmo ano, o
> grande Alonzo Church já tinha proposto um modo nada “miserável” de acomodar
> muito do que Quine classifica como “teoria do significado” no cálculo
> lambda, cujos fundamentos já tinham sido estabelecidos por Schonfinkel e
> Curry! Aliás, desde Frege a teoria do significado não é tão “miserável”
> assim quanto Quine julgava!
>
> Obrigado pelas referências,
> Saudações,
> Daniel.
> -----
> Departamento de Filosofia - (UFRN)
> http://danieldurante.weebly.com
>
> Em 20/11/2013, à(s) 12:16, Joao Marcos <[email protected]> escreveu:
>
> Salve, Daniel:
>
> Já que é este o caso, você pode traduzir *entailment* por
> *acarretamento* sem susto e sem aspas.  Nosso colega van Ormand Quine
> não poderia em absoluto ter tido em mente questões terminológicas
> levantadas por "lógicos da relevância" que ainda nem existiam!
>
> Com relação ao "estado miserável" da Teoria do Significado, Quine em
> sua época (pré-Belnap) tinha toda a razão no que afirmou (anote esta
> frase aí, já que vai ser muito difícil você me ver dizendo outra vez
> que "Quine tinha razão").  Felizmente, hoje em dia a situação é BEM
> diferente, em particular graças ao desenvolvimento da "Abstract
> Algebraic Logic" e ao estudo da "Lógica Universal".  A noção de
> *sinonímia*, em particular, já é bem melhor compreendida (e não dá
> mais motivo para tanta perturbação), sendo apresentável de fato de
> modo a envolver a noção de *acarretamento*.  Confira por exemplo a
> definição que Smiley propôs uma década após o artigo ideológico do
> Quine: denote por Psi(p) um "contexto sentencial" (isto é, uma
> fórmula) no qual ocorre a variável proposicional p, e recorde que
> dizemos que duas sentenças S1 e S2 são logicamente equivalentes, do
> ponto de vista de uma determinada lógica, quando tanto X acarreta Y
> quanto Y acarreta X ; dizemos então que A e B são expressões
> *sinônimas* quando Psi(A) e Psi(B) são equivalentes, para todo
> contexto sentencial Psi.  Lógicas *congruenciais* (locus classicus da
> "intensionalidade"), em particular, são aquelas em que todas as
> expressões equivalentes são sinônimas (isto é, nestas lógicas vale a
> propriedade de "replacement" / substitutividade).  Por outro lado, as
> lógicas *verofuncionais*, caracterizáveis "extensionalmente", só são
> congruenciais muito raramente --- o que levou Roman Suszko a afirmar,
> equivocadamente, que a congruencialidade sempre falharia caso uma
> lógica fosse caracterizável por matrizes com mais de dois
> valores-de-verdade.  Estava errado Suszko, e esteve errado tantas
> vezes o Quine...
>
> Para mais sobre os fascinantes temas da verofuncionalidade e da
> extensionalidade, vale a pena conferir o capítulo 3 da bíblia do
> Humberstone, "The Connectives".  Vale ainda acrescentar que o tema da
> sinonímia "definicional", no qual não toquei no parágrafo acima, foi
> explorado por Lopez-Escobar e Miraglia em uma edição inteira da
> Dissertationes Mathematicae, dentro da tradição de Lesniewski-Tarski.
> JM
>
>
> 2013/11/20 Daniel Durante <[email protected]>:
>
> Colegas,
>
> A questão que mais me preocupava na tradução de “entailment” era justamente
> a apontada por Jean-Yves. Autores diferentes usam entailment com
> significados diferentes! E eu simplesmente não tenho clareza absoluta do
> significado no texto original! Usei “acarretamento”, mas vou fazer uma nota
> de rodapé (quem sabe até um outro artigo :) ). De todo modo, o texto
> original é um trecho bem conhecido de “Ontology and Ideology”, de Quine,
> onde ele separa a semântica em teoria do significado e teoria da referência,
> e coloca “entailment” como uma das noções da teoria do significado (os “bad
> guys"):
>
> A fundamental cleavage needs to be observed between two parts of so-called
> semantics: the theory of reference and the theory of meaning. The theory of
> reference treats of naming, denotation, extension, coextensiveness, values
> of variables, truth; the theory of meaning treats of synonymy, analyticity,
> syntheticity, entailment, intension. Now the question of the ontology of a
> theory is a question purely of the theory of reference. The question of the
> ideology of a theory, on the other hand, obviously tends to fall within the
> theory of meaning; and, insofar, it is heir to the miserable conditions, the
> virtual lack of scientific conceptualization, which characterize the theory
> of meaning.
>
> Bem, Quine põe “entailment” junto dos “bad guys”, mas eu não sei se ele
> colocaria “implicação lógica” junto dos “bad guys” também! Na verdade, esta
> referência dele a “entailment” neste trecho é, para mim, bastante
> perturbadora!!!
>
> De todo modo, obrigado pelas sugestões.
>
> Abraços,
> Daniel.
>
> PS: Bem, Andrea, fiquei curioso para saber a tradução do Balthazar depois de
> Steinhaegers com Underberg… :)
>
>
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