Concordo, João. A propósito, conheço muito bem a obra de Church, em especial, a LSD. Mas, confesso nunca ter entendido bem a contribuição que esta obra (na verdade, pequenos artigos) teria ao Sinn de Frege dado que Church *apenas* axiomatiza (via lambda calculo) certas noções bem intuitivas. Já fiz esta mesma observação ao Tony Anderson. Ele ficou de pensar a respeito.
O que voces me dizem? Em 20 de novembro de 2013 13:46, Joao Marcos <[email protected]> escreveu: > Bom, Daniel, se foi no mesmo ano, então Quine não pode ser > culpabilizado por não ter lido! :-) > > Estou totalmente de acordo com você sobre a contribuição fundamental > do Church para este assunto. Aliás, quem hoje lê Frege über Sinn & > Bedeutung sem ter em conta o trabalho do Church está marcando passo! > > Abraços, > Joao Marcos > > 2013/11/20 Daniel Durante <[email protected]>: > > Salve, João Marcos, > > > > Pois é, eu concordo com você, discordando!! Anote aí também, porque você > não > > vai me ouvir muitas vezes dizendo que o Quine não tinha razão :) mas > neste > > caso, eu acho que ele não tinha razão em sua implicância com a teoria do > > significado nem na época em que escreveu o texto (1951)!! Neste mesmo > ano, o > > grande Alonzo Church já tinha proposto um modo nada “miserável” de > acomodar > > muito do que Quine classifica como “teoria do significado” no cálculo > > lambda, cujos fundamentos já tinham sido estabelecidos por Schonfinkel e > > Curry! Aliás, desde Frege a teoria do significado não é tão “miserável” > > assim quanto Quine julgava! > > > > Obrigado pelas referências, > > Saudações, > > Daniel. > > ----- > > Departamento de Filosofia - (UFRN) > > http://danieldurante.weebly.com > > > > Em 20/11/2013, à(s) 12:16, Joao Marcos <[email protected]> escreveu: > > > > Salve, Daniel: > > > > Já que é este o caso, você pode traduzir *entailment* por > > *acarretamento* sem susto e sem aspas. Nosso colega van Ormand Quine > > não poderia em absoluto ter tido em mente questões terminológicas > > levantadas por "lógicos da relevância" que ainda nem existiam! > > > > Com relação ao "estado miserável" da Teoria do Significado, Quine em > > sua época (pré-Belnap) tinha toda a razão no que afirmou (anote esta > > frase aí, já que vai ser muito difícil você me ver dizendo outra vez > > que "Quine tinha razão"). Felizmente, hoje em dia a situação é BEM > > diferente, em particular graças ao desenvolvimento da "Abstract > > Algebraic Logic" e ao estudo da "Lógica Universal". A noção de > > *sinonímia*, em particular, já é bem melhor compreendida (e não dá > > mais motivo para tanta perturbação), sendo apresentável de fato de > > modo a envolver a noção de *acarretamento*. Confira por exemplo a > > definição que Smiley propôs uma década após o artigo ideológico do > > Quine: denote por Psi(p) um "contexto sentencial" (isto é, uma > > fórmula) no qual ocorre a variável proposicional p, e recorde que > > dizemos que duas sentenças S1 e S2 são logicamente equivalentes, do > > ponto de vista de uma determinada lógica, quando tanto X acarreta Y > > quanto Y acarreta X ; dizemos então que A e B são expressões > > *sinônimas* quando Psi(A) e Psi(B) são equivalentes, para todo > > contexto sentencial Psi. Lógicas *congruenciais* (locus classicus da > > "intensionalidade"), em particular, são aquelas em que todas as > > expressões equivalentes são sinônimas (isto é, nestas lógicas vale a > > propriedade de "replacement" / substitutividade). Por outro lado, as > > lógicas *verofuncionais*, caracterizáveis "extensionalmente", só são > > congruenciais muito raramente --- o que levou Roman Suszko a afirmar, > > equivocadamente, que a congruencialidade sempre falharia caso uma > > lógica fosse caracterizável por matrizes com mais de dois > > valores-de-verdade. Estava errado Suszko, e esteve errado tantas > > vezes o Quine... > > > > Para mais sobre os fascinantes temas da verofuncionalidade e da > > extensionalidade, vale a pena conferir o capítulo 3 da bíblia do > > Humberstone, "The Connectives". Vale ainda acrescentar que o tema da > > sinonímia "definicional", no qual não toquei no parágrafo acima, foi > > explorado por Lopez-Escobar e Miraglia em uma edição inteira da > > Dissertationes Mathematicae, dentro da tradição de Lesniewski-Tarski. > > JM > > > > > > 2013/11/20 Daniel Durante <[email protected]>: > > > > Colegas, > > > > A questão que mais me preocupava na tradução de “entailment” era > justamente > > a apontada por Jean-Yves. Autores diferentes usam entailment com > > significados diferentes! E eu simplesmente não tenho clareza absoluta do > > significado no texto original! Usei “acarretamento”, mas vou fazer uma > nota > > de rodapé (quem sabe até um outro artigo :) ). De todo modo, o texto > > original é um trecho bem conhecido de “Ontology and Ideology”, de Quine, > > onde ele separa a semântica em teoria do significado e teoria da > referência, > > e coloca “entailment” como uma das noções da teoria do significado (os > “bad > > guys"): > > > > A fundamental cleavage needs to be observed between two parts of > so-called > > semantics: the theory of reference and the theory of meaning. The theory > of > > reference treats of naming, denotation, extension, coextensiveness, > values > > of variables, truth; the theory of meaning treats of synonymy, > analyticity, > > syntheticity, entailment, intension. Now the question of the ontology of > a > > theory is a question purely of the theory of reference. The question of > the > > ideology of a theory, on the other hand, obviously tends to fall within > the > > theory of meaning; and, insofar, it is heir to the miserable conditions, > the > > virtual lack of scientific conceptualization, which characterize the > theory > > of meaning. > > > > Bem, Quine põe “entailment” junto dos “bad guys”, mas eu não sei se ele > > colocaria “implicação lógica” junto dos “bad guys” também! Na verdade, > esta > > referência dele a “entailment” neste trecho é, para mim, bastante > > perturbadora!!! > > > > De todo modo, obrigado pelas sugestões. > > > > Abraços, > > Daniel. > > > > PS: Bem, Andrea, fiquei curioso para saber a tradução do Balthazar > depois de > > Steinhaegers com Underberg… :) > > > > > > -- > > http://sequiturquodlibet.googlepages.com/ > > > > > > > > -- > http://sequiturquodlibet.googlepages.com/ > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
