Obrigado Bernardo e Marcelo pelas explicações
Tinha aprendido a definição de PA usando recorrência (como você disse). Essa 
nova definição não recorrente é nova para mim. Aliás, eu concordo com os dois 
em dizer que a demonstração estava certa e repito: Só respondi ao email por 
experiância própria e divulguei o mesmo gabarito da prova na minha escola 
(embora não concorde com ele)
Enfim, desculpe pelos erros aí
[]'sJoão

> Date: Fri, 6 Apr 2012 21:58:45 +0200
> Subject: [obm-l] Re: [obm-l] RE: [obm-l] Re: [obm-l] RE: [obm-l] insegurança
> From: [email protected]
> To: [email protected]
> 
> 2012/4/6 João Maldonado <[email protected]>:
> > Bernardo, eu disse que faltava rigor justamente por esse MESMO problema
> > (idêntico) mas dissertativo ter caído em uma prova minha faz 3 semanas
> > (ciclo 0/1 do poliedro), e eu ter ganhado 1 de 5 por ter feito o que Hermann
> > falou
> Oi João. Relaxa. Claro que é difícil quando se está preparando para um 
> concurso.
> 
> Mas eu vou vestir a minha armadura de chato, e vamos em frente.
> 
> > Se f(ak) é PA, temos que provar que TODOS os ak satisfazem a condição.
> Que condição?
> 
> É claro que aqui temos um problema de definição. Para mim, uma P.A. é
> uma seqüência a_n (indexada pelos inteiros começando pelo zero, para
> simplificar umas fórmulas) tal que a_{n+1} - a_n = a_{n+2} - a_{n+1}
> para todo n.
> Muita gente diz isso de outra forma (que é equivalente, e muitas vezes
> mais prática, como a gente vai ver): existe um número r (a razão da
> PA) tal que a_{n+1} = a_n + r para todo n.
> 
> >  Se
> > f(ak) e  todos os k' maiores que k  satisfazem, mas f(ak-1) não satisfaz,
> > f(ak) NÃO É PA qualquer que seja k, por isso é preciso instituir um a0 e
> > agir a partir daí, coisa que Hermann não fez.
> Claro que fez! Ele mostrou a segunda definição: existe um número
> (f(r)) tal que b_{n+1} = b_n + esse número (onde b_n = f(a_n)).
> 
> > Outra coisa é que pelo PIF não
> > vale apenas dizer que se vale para k vale para k+1, SEMPRE tudo tem que
> > satisfazer uma condição inicial, que seria o a1 (a partir do qual provaremos
> > que todos os seus sucessores formam uma PA).
> Eu acho que os seus professores mostraram que todo mundo da sua sala
> era tricolor (ou qualquer outro time pelo qual o professor torce, ou
> qualquer adjetivo, ...).
> 
> > Concordo com você em dizer que a prova  f(an)=f(an-1+r)=f(an-1)+f(r) não foi
> > uma indução (e não foi mesmo), mas leia mais atentamente a minha Tese:
> >
> > " f(ak) é PA de razao f(r) para k inteiro <=n "
> Sendo chato (eu avisei), isso não faz sentido. O que você deve ter
> querido dizer é o seguinte: "a seqüência f(a0), f(a1); ... f(an) é uma
> P.A. de razão f(r)". Tem dois erros, um de atenção (inteiro, em vez de
> inteiro positivo) e outro de posição do quantificador.
> 
> > Como eu disse para ak ser PA
> Isso tem o mesmo problema de antes: "ak ser uma P.A." não é normal, o
> que você pode dizer é "a0, a1, ..., ak" é uma PA.
> 
> > os antecessores também têm que formar uma PA, e
> > a "mini-indução" vem aí, se os antecessores não formarem uma PA, mesmo que
> > para k satisfaça, f(ak) não é pa qualquer que seja k, logo estamos criando
> > uma hipótese (que é PA para k1<k) para provar uma  tese sequencial, o  que é
> > justamente a definição de indução
> Você não *precisa* provar que uma P.A. é uma P.A. "por indução".
> Justamente, a definição da P.A. (as duas que eu dei) pode ser
> verificada "para todos os n ao mesmo tempo" com o argumento do
> Hermann.
> 
> Claro que em alguns casos você vai usar indução para mostrar um monte
> de coisas. Mas aqui, não precisa.
> 
> > Aliás eu mesmo não acho que devia-se tirar ponto por causa de uma coisa tão
> > boba, mas tiraram de mim, e o gabarito publicado era justamente esse que eu
> >  coloquei aí. O professor que colocou essa questão na prova é matemático
> > puro (fez  curso e doutorado em matemática e não engenharia como os outros).
> Isso é meio forte demais. Argumento de autoridade é a última coisa que
> se aceita em matemática. As armas leais de combate são definições,
> teoremas, e lógica.
> 
> > Acho que é por essa questão que o rigor é importante para ele. Ele pega
> > muito no pé em relação aos conceitos. Na primeira aula ficou 1 hora
> > discutindo a favor da indeterminacao do 0 elevado a 0
> >
> > Outro problema nessa mesma prova que me tirou ponto foi provar que
> > (1-1/2)(1-1/3)(1-1/4)...(1-1/n) = 1/n, eu substitui por
> > 1/2.2/3.3/4...(n-1/n) e sai cortando, e essa prova "direta" como você disse
> > me deu 0 de 5. O problema não pedia indução, mas na outra aula o mesmo
> > professor falava que esse "sair cortando" é chamada de indução fraca, e não
> > é uma prova concreta para a matemática.
> Hum, isso é BEM diferente do caso da P.A. pela razão seguinte (que eu
> espero que o seu professor tenha explicado DIREITINHO, se ele é tão
> chato com rigor): toda (repito, TODA) vez que aparecem reticências
> numa fórmula, você está manipulando um objeto "deixado à compreensão
> do leitor", e a primeira tarefa de uma demonstração é dar uma
> definição SEM as reticências. A maior parte do tempo, por recorrência.
> Mas neste caso, observe que 1/2.2/3.3/4...(n-1/n) está tão
> "mal-definido" quanto o original, e para fazer manipulações, você deve
> dar uma definição "correta", tipo
> a_1 = 1
> a_n = a_{n-1} * (1 - 1/n)
> 
> Dada essa definição (por recorrência), a única coisa que você pode
> fazer para sair dela é matar com uma recorrência. Mas a definição de
> P.A. (repito) não é recorrente.
> 
> > Aliás, isso é outra coisa que eu não concordo, tirar ponto por causa de uma
> > coisa tão boba, mas para ele falta de rigor importa
> > Estou dizendo isso por experiência própria, só disse o que disse pois se
> > Hermann pegasse um professor rigoroso comoo meu, poderia perder ponto
> > Mas se você acha que deveria tirar ponto, faça como quiser, cada um tem a
> > sua mentalidade
> Cara, se você insistir, eu tiro ponto até do seu professor por ter te
> obrigado a botar indução onde ela não foi chamada!
> 
> Abraços,
> -- 
> Bernardo Freitas Paulo da Costa
> 
> =========================================================================
> Instruções para entrar na lista, sair da lista e usar a lista em
> http://www.mat.puc-rio.br/~obmlistas/obm-l.html
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