No exemplo que vc deu, cortar está absolutamente certo. 

Para todo inteiro n > 1, 1 - 1/n = (n - 1)/n. Isto nos leva ao que chamamos de 
produto telescópico. Já vi provas semelhantes em livros de autores rigorosos 
como Bartle, Rudin e Apostol.     Neste caso, não há necessidade de indução. 

A questão do 0^0 depende puramente de definição. É usual se definir como 1 
porque facilitaera casos  como séries de potências. 

Acho estranho um Dr discutir literalmente zero elevado a zero, algo que não é 
indeterminação mas sim definição. O que é indeteriminação são limites do tipo 
u(x)^v(x), onde u e v são funções que tendem a 0 quando x tende a algum valor. 
Coisa muito diferente. 

É como discutir porque 0! = 1. Outra convenção muito útil. Ou mesmo porque a^1 
= a. Uma definição. A definição que se dá para n inteiro maior que 1 não se 
aplica ao 1 porque, também por definição, produto é uma operação binária e não 
existe produto de um fator só. 

Uma vez ouvi um cara dos Estados Unidos dizer que 0^0 é algo transcendental que 
os matemáticos não sabem explicar. Assim vamos ao misticismo. O que também já 
ouvi a respeito da unidade imaginária (nome muito infeliz mas que residtiu aos 
séculos e é consagrado). Hoje, em vez de instituir algo que parece cabalístico, 
a maioria dos autores definem os complexos de forma muito clara introduzindo em 
R2 uma estrutura de corpo. 

Quanto ao problema original, se algúem provou que a_k = a_(k - 1) + r, 
automaticamente provou que é uma PA. Da mesma forma que se eu provar que f(x) = 
x^851, provei que f é um polinômio de grau 851. 

Eu não sou matemático, mas cito  o exemplo de autores de reconhecido saber. 

Abraços

Artur

Em 06/04/2012, às 16:17, João Maldonado <[email protected]> escreveu:

> Bernardo, eu disse que faltava rigor justamente por esse MESMO problema 
> (idêntico) mas dissertativo ter caído em uma prova minha faz 3 semanas (ciclo 
> 0/1 do poliedro), e eu ter ganhado 1 de 5 por ter feito o que Hermann falou
> 
> Se f(ak) é PA, temos que provar que TODOS os ak satisfazem a condição. Se 
> f(ak) e  todos os k' maiores que k  satisfazem, mas f(ak-1) não satisfaz, 
> f(ak) NÃO É PA qualquer que seja k, por isso é preciso instituir um a0 e agir 
> a partir daí, coisa que Hermann não fez. Outra coisa é que pelo PIF não vale 
> apenas dizer que se vale para k vale para k+1, SEMPRE tudo tem que satisfazer 
> uma condição inicial, que seria o a1 (a partir do qual provaremos que todos 
> os seus sucessores formam uma PA).
> 
> Concordo com você em dizer que a prova  f(an)=f(an-1+r)=f(an-1)+f(r) não foi 
> uma indução (e não foi mesmo), mas leia mais atentamente a minha Tese:
> 
> " f(ak) é PA de razao f(r) para k inteiro <=n "
> 
> Como eu disse para ak ser PA os antecessores também têm que formar uma PA, e 
> a "mini-indução" vem aí, se os antecessores não formarem uma PA, mesmo que 
> para k satisfaça, f(ak) não é pa qualquer que seja k, logo estamos criando 
> uma hipótese (que é PA para k1<k) para provar uma  tese sequencial, o  que é 
> justamente a definição de indução
> 
> Aliás eu mesmo não acho que devia-se tirar ponto por causa de uma coisa tão 
> boba, mas tiraram de mim, e o gabarito publicado era justamente esse que eu  
> coloquei aí. O professor que colocou essa questão na prova é matemático puro 
> (fez  curso e doutorado em matemática e não engenharia como os outros). Acho 
> que é por essa questão que o rigor é importante para ele. Ele pega muito no 
> pé em relação aos conceitos. Na primeira aula ficou 1 hora discutindo a favor 
> da indeterminacao do 0 elevado a 0
> 
> Outro problema nessa mesma prova que me tirou ponto foi provar que 
> (1-1/2)(1-1/3)(1-1/4)...(1-1/n) = 1/n, eu substitui por 1/2.2/3.3/4...(n-1/n) 
> e sai cortando, e essa prova "direta" como você disse me deu 0 de 5. O 
> problema não pedia indução, mas na outra aula o mesmo professor falava que 
> esse "sair cortando" é chamada de indução fraca, e não é uma prova concreta 
> para a matemática.
> 
> Aliás, isso é outra coisa que eu não concordo, tirar ponto por causa de uma 
> coisa tão boba, mas para ele falta de rigor importa
> Estou dizendo isso por experiência própria, só disse o que disse pois se 
> Hermann pegasse um professor rigoroso comoo meu, poderia perder ponto
> Mas se você acha que deveria tirar ponto, faça como quiser, cada um tem a sua 
> mentalidade
> 
> --
> João Maldonado
> 
> > Date: Fri, 6 Apr 2012 20:11:34 +0200
> > Subject: [obm-l] Re: [obm-l] RE: [obm-l] insegurança
> > From: [email protected]
> > To: [email protected]
> > 
> > 2012/4/6 João Maldonado <[email protected]>:
> > > O principio esta certo, mas se for uma prova dissertativa, talvez eles nao
> > > te dessem nota por nao estar tao completa essa inducao
> > >
> > > Eu escreveria assim
> > >
> > > Tese f(ak) é PA de razao f(r) para k inteir <=n
> > > Condicao inicial f(a1)=f(a)+f(r)
> > > Hipotese f(k)=f(k-1)+f(r) qualquer que seja k inteiro menor que n
> > > Prova f(an)=f(an-1+r)=f(an-1)+f(r)
> > Isso não é uma indução, é uma prova direta (como a original,
> > inclusive). Veja que você não usa que f(a_k) = f(a_{k-1}) + f(r) para
> > deduzir a mesma coisa para f(a_{k+1}). A única propriedade necessária
> > é a linearidade mesmo. Eu prefiro a forma original, inclusive:
> > simples, direta, clara. E se eu estivesse num dia ruim, eu tiraria
> > pontos da sua, porque ficaria com a impressão que o aluno está
> > tentando me enrolar.
> > 
> > -- 
> > Bernardo Freitas Paulo da Costa
> > 
> > =========================================================================
> > Instruções para entrar na lista, sair da lista e usar a lista em
> > http://www.mat.puc-rio.br/~obmlistas/obm-l.html
> > =========================================================================

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