Em 08/12/2008, às 19:55, Cláudio Sampaio escreveu:
Você está confundindo as coisas de propósito, Olival? Eu por acaso
disse que o crime era fazer/publicar software proprietário? Por
acaso você não conhece o longo histórico da Microsoft e sua política
suja? Eu posso te recomendar pelo menos três livros somente sobre
isso.
Ok. Mal exemplo, mas, por acaso, você também não conhece o histórico
da IBM? E da Oracle? E da Sun? Entendo que pegar o mais ruidoso como
exemplo é interessante, mas continuo achando que há muita
"indulgência" com determinadas empresas que não a referenciada nos "3
livros".
Finalmente, um tema bastante afim à questão do software livre é o
combate ao sistema de patentes atual. A IBM é uma das empresas
Relevante, quando mal usado
Engraçado, os ataques que li por aqui e em lugares relacionados a
Software Livre criticam o *sistema* como um todo, não o seu "uso".
Curiosamente, nunca vi nenhuma crítica à empresa sobre isso, enquanto
Então você não leu nos lugares certos e de qualquer jeito a patente
é um meio sórdido e preocupante, mas não chega perto do que estou
abordando. Você parece estar confundindo o meio-campo de propósito,
peço para que não mais enverede a discussão por este lado.
Mesmo? Me indique então os "lugares certos". Fácil dizer que eu deixei
de fazer isso ou aquilo sem apontar uma URL sequer.
E não estou "confundindo o meio de campo". Para quem não enxerga o
mundo em preto-e-branco, há de se apontar várias áreas de cinza. Pegar
um aspecto da questão e esquecer todo o resto é por demais simples (ou
mesmo simplório).
E por isso a IBM deveria ser perdoada? Não.
A questão aqui não é "perdão" à IBM. O ponto aqui é que a iniciativa
da MS em relação a SL e afins deveria no mínimo ter a mesma acolhida
que a da IBM teve na época em que começou a abordar o assunto. Como
você mesmo disse, vamos separar os tópicos.
Registro longo e consistente de colaboração com Software Livre pode
coexistir com registro longo e consistente de apoio e venda de
tecnologias proprietárias, "monetização" através de licenciamento de
"propriedade intelectual", discurso inconsistente (afinal, é só pegar
Não, senão é inconsistente. Leia de novo: eu imaginava que "registro
longo e consistente" significasse claramente que a empresa não só
faz coisas "a favor" como não faz coisas contra.
E você só entende "fazer contra" se for falar mal abertamente como um
Ballmer da vida faz? Lançar uma versão gratuita do seu carro chefe de
banco de dados, sem "libertar" seu código, não é algo "contra" o
Software Livre? Você realmente não consegue avaliar o impacto disso
sobre os bancos de dados livres? E que tal gerar mais um fork
proprietário do OpenOffice.org? Fragmentar esse mercado não é algo
prejudicial aos esforços da versão realmente livre?
Mas de qualquer jeito, software livre entrou na discussão de gaiato.
Os crimes da Microsoft são contra a sociedade em geral.
Se for por aí, vamos voltar ao lance da IBM e do Holocausto. E, por
favor, isso de dizer que todo mundo já morreu é balela. Se há
sobreviventes de campos de concentração vivos até hoje (e estou
falando de gente que já era adulta na época), então nada impede que a
diretoria de então esteja curtindo sua aposentadoria (e os gordos
bônus da vultosa venda à turma da suástica) em algum país latino-
americano.
E o que você acha que a IBM fez ao doar boa parte do código de suporte
a webservices ao projeto Apache? Sendo "boazinha" e compartilhando o
conhecimento ou criando um padrão de fato que ensejaria um padrão de
direito posteriormente? Vamos ler mais e prestar atenção à história,
meu caro.
Ou eu não entendi o seu raciocínio ou o seu raciocínio está errado.
A questão aqui é: interessa a toda empresa controlar o mercado em que
atua. A MS faz isso pela força do seu monopólio. E isso permite a ela
usar táticas mais "descaradas". Outras empresas têm de recorrer a
formas mais sutis de "controle".
Não acompanhei. A impunidade contra uma empresa significaria que
outra deveria ficar impune também? Que falácia velha, Olival.
Acho que você está pulando linhas no que eu escrevo: o que eu defendi
até agora *não* é a "impunidade" de uma, mas o tratamento *equânime*
para todos. Da forma como as coisas são apresentadas, me passa a velha
noção de que "aos amigos tudo, aos inimigos o rigor da lei".
E a mentalidade de pessoas como você deveria ser menos indulgente
com a Microsoft. Acho sinceramente uma vergonha isso; a empresa faz
tudo que é ruim e pior e nunca é reconhecida como a vilã que é, é
considerada algo próximo de 'perseguida' e 'incompreendida'. Tsc. É
como se ser tão maligno fosse algo tão inacreditável que ninguém
quer acreditar.
O que me surpreende é você acreditar piamente que ela seja a *única* a
fazer tudo o que fez. Por favor, vou escrever *mais uma vez*: não é o
caso da MS ser "perseguida". A pergunta é "por que a má conduta de
outras é ignorada"?
E eu usei palavras carregadas - "ruim", "vilã", "maligno" - porque é
exatamente isso o que esse caso todo é. Um julgamento moral. Que por
incrível que pareça, pessoas como você não aceitam. É por quê isso?
Por causa do sucesso financeiro da empresa? Pela impressão ingênua
que ela só age como as outras, não sendo pior nem melhor?
Os argumentos que normalmente norteiam a classificação "moral" de
"vilã" referem-se ao comportamento dela dentro do sistema capitalista
em uma sociedade democrática. Outros argumentam que o próprio
capitalismo é algo errado. E outros dizem que qualquer forma de
governo é má por natureza. Então se a questão aqui é fazer
"julgamentos morais", talvez o erro não seja "das pessoas", mas da sua
visão de como as coisas são. Assim, não vejo sentido em continuar este
argumento porque acho que chegamos no ponto em que podemos concordar
em discordar.
Existem outras empresas que fazem coisas ruins - me vêm à mente a
Adobe com o dmitri sklyarov e a famigerada SCO. Mas dado o alcance,
a quantidade e a variedade, a Microsoft é de longe a pior.
Eu me preocuparia muito mais com outro tipo de empresa e outro tipo de
alcance. Mas, aí a discussão já ficaria ainda mais off-topic.
Eu não arrisco um julgamento moral sobre a questão porque não acho que
"antropomorfizar" uma organização seja algo realmente interessante. Há
teorias e teorias na administração sobre a validade ou não disso.
Acredito, porém, que a conduta corporativa da Microsoft já mostrou
diversas vezes que ela golpeia abaixo da cintura e joga sujo quando se
trata de garantir seu mercado. Os valores da empresa nas últimas
décadas pareciam corroborar esse espírito de competitividade
maquiavélico.
Só que as coisas mudam e certamente o contexto de hoje não é o mesmo
de 20 anos atrás. Se até empresas tradicionalmente associadas a
poluição e degradação do meio ambiente estão conseguindo "selos
verdes", nada impede que exista uma mudança legítima acontecendo em
algum lugar da Microsoft.
E não se trata de uma mudança movida a crenças utópicas ou algo assim.
Da mesma forma que empresas tradicionais descobriram que ser "verde" e
"socialmente responsável" dá lucro, talvez a Microsoft tenha
descoberto algo similar no mundo da TI (assim como a IBM descobriu
antes dela).
Mas, novamente, está é APENAS minha opinião. Felizmente, não somos
obrigados a ter a mesma. :-)
[ ]s,
OJr._______________________________________________
PSL-Brasil mailing list
[email protected]
http://listas.softwarelivre.org/mailman/listinfo/psl-brasil
Regras da lista:
http://twiki.softwarelivre.org/bin/view/PSLBrasil/RegrasDaListaPSLBrasil