Beth,
O PT foi o primeiro partido a acompanhar a apresentação dos sistemas do
TSE, desde 1996. O PDT começou a participar em 2000 e agora em 2006
começou o PV.
Estou me referindo ao acompanhamento verdadeiro, por meio de técnicos em
informática que comparecem diversas vezes para ver os códigos do
sistema, apresentam questões e petições, etc.
Não conto como acompanhamento quando outros partidos, entre eles o PSDB,
enviam um advogado na palestra inaugural de abertura dos trabalhos ou
apenas no momento final de assinatura da ata geral da lacração.
Normalmente estes advogados dos outros partidos, que ignoram 100% da
questão técnica relativa aos programas, aparecem por lá nas horas
festivas, mostram-se muito simpáticos com aos juízes do TSE, dão
entrevistas à imprensa covalidando o que não viram e vão embora felizes
por ter "participado da auditoria dos sistemas".
Não mais do que isto é a participação histórica do PSBD. A omissão deste
partido em conhecer o sistema é de cunho interno. Lá dentro tem muito
fiel do Santo Baite que acredita que o sistema eleitoral eletrônico é
invulnerável.
Se lembre que este sistema foi integralmente criado e implantado no TSE
entre 1994 (quando assumiu o Min, Velloso) e 1996 (quando se usou as
urnas-e pela primeira vez). E tudo isto aconteceu sob o primeiro
governo FHC, inclusive a disponibilização de verba de meio bilhão de
dolares numa época em que governo cortava despesa de todo o lado.
Foi justamente porque o PT desconfiava que o PSDB estivesse armando uma
arapuca eletrônica para reeleger o FHC, que o PT passou a acompanhar o
desenvolvimento do sistema e hoje tem conhecimento profundo dele.
O PT e o PDT são os únicos partidos que tem gente técnica com
conhecimento completo (ou quase) do funcionamento do sistema. Agora o PV
também está se preparando (o relatório de Guarulhos foi escrito por um
representante técnico do PV que já está se adiantando no conhecimento
dos detalhes sistema)
Eu sei que muitas pessoas anti-lula começaram somente agora a se
preocupar com possível fraude na eleições principalmente por causa das
pesquisas onde o Lula dispara e o Alckimin, picole de xuxu, só derrapa.
Como entre nós da classe média é difícil encontrar pessoas dispostas a
votar no Lula, fica tudo muito estranho.
Agora alguns esclarecimentos sobre BU e totalização.
Os Boletins de Urnas são documentos emitidos por cada urna-e ao final da
votação às 17 h. São impressos, para fiscalização, e também são
gravados em disquete para transmissão do resultado para os computadores
de totalização nos Cartórios Eleitorais.
Cada BU mostra os votos que cada candidato teve naquela urna-e, Contém
também os votos nulos e brancos, o total de comparecimento e abstenção e
informações sobre a carga da urna.
Os fiscais dos partidos deveriam recolher as vias impressas dos BU para
fazerem o que se chama de Totalização Paralela, auditando, desta forma a
totalização oficial.
O BU impresso, com as assinaturas dos mesários, é documento de prova
oficial e pode ser usado no caso de troca dos resultados de alguma seção.
Acontece que na prática nenhum partido consegue recolher 100% dos BU
impressos em todos as cidades e estados. São uns 400 mil BU. Assim,
ninguém faz de fato uma auditoria da totalização completa, especialmente
para presidente.
Até 2002 (tempo do FHC), apenas uma via do BU impresso era dado primeiro
fiscal de partido que aparecesse. Acabava que um partido ficava com uma
parte dos BU e outros partidos com outras partes e nenhum deles ficava
em condições de auditar a totalização e comprovar fraudes que porventura
descobrissem (como no Caso Rio 2002).
Por insistência do PDT (mais especificamente, por insistência minha e da
adv. Maria Aparecida Cortiz), em 2004 (eleição municipal) as urnas
podiam emitir até 9 cópias impressas dos BU para serem entregues aos
fiscais.
Agora em 2006, a coisa retrocedeu e o Art. 42 da Res. TSE 22.154 volta a
destinar uma cópia do BU impresso ao "representante do comitê
interpartidário" e nenhuma outra via aos fiscais dos partidos.
Eu e a Cida já apresentamos 3 petições no TSE, em nome do PDT, para
tentar reverter este quadro. O PT mandou seu representante conversar com
o ministro relator das resoluções, mas não entrou com petição formal. O
PV tomou conhecimento do problema mas ainda não se mexeu.
Já enviei recados, por intermediários, ao PSBD, ao PFL, ao PSB, ao
PRONA, ao PSOL e ao PP. Não fui procurado de volta para explicar o
problema por nenhum deles.
A questão dos testes de penetração foi combinada por mim com os
representantes técnicos do PT e do PV. O do PV demorou para conseguir
autorização dos advogados do partido e acabou ficando de fora do
primeiro pedido, mas seu represenatnte técnico ainda está tentando
entrar com petição similar.
Volto a lhe lembrar, que o teste de penetração NÃO É UMA AUDITORIA DA
APURAÇÃO DOS VOTOS, nem a susbtitui. Apenas serve para demonstrar que
existem falhas de segurança no PROJETO do sistema. Só isto. Não indica
se houve ou se haverá fraude. Se o teste encontrar falhas, demonstra
apenas que PODERIA ocorrer ataques visando fraudar a apuração dos votos
nas urnas-e.
Quanto a questão dos computadores de totalização.
A totalização nesta eleição será feita em cada TRE estadual. O TSE só
receberá a apuração dos votos para presidente de cada estado (27) e
somará estes 27 números para apresentar o resultado final.
Assim, o grosso da fiscalização da totalização deve se concentrar nos
Estados e nos cartórios eleitorais de cada cidade, recolhendo o máximo
número de BU impressos e conferindo se eles chegaram intactos ao
totalizador dos TRE.
Para isto, ajudaria muito se houvesse varias vias do BU impresso
disponíveis aos fiscais e se os BU digitais recepcionado pelo
totalizador do TRE fossem apresentados na Internet. Aí ficaria bem mais
viável para um partido auditar de fato a totalização.
Mas como o desinteresse por estas duas causas (lutar para se dispor os
BU impressos e os digitais) é geral nos partidos políticos, exceto o
PDT, vai ficar dificil alguém conferir a totalização.
Os representantes que os partidos vão enviar ao TRE para acompanhar a
totalização, como sempre ocorre, serão advogados sem noção dos detahes
do processo informatizado de apuração/totalização, muito simpáticos com
os juízes e desembargadores a ponto de conseguirem até umas mordomias
como uma sala confortável com ar condicionado, cafezinho e até whisky
para os mais chegados. Não se importarão em ficar de fora da sala onde
operam os computadores de totalização "porque ficaria muito apertado".
Não vão fiscalizar nem auditar absolutamente porra nenhuma, mas
telefonarão aos seus diretórios estaduais informando alguns dados que
não aparecem no telão, como as cidades que já foram apuradas.
Por tudo isto, Beth, o PT não pode ser culpado pela absoluta omissão do
PSBD.
Antes de concluir que o PT está fraudando (ou vai fraudar) é importante
perceber que os tucanos estão deixando que isto ocorra por absoluta
vontade própria.
Amilcar
Beth Osuch escreveu:
Com todo o respeito, tem algumas perguntas que não querem calar e, que
eu gostaria de ter respondidas.
Uma delas é o fato de não constar assinatura do PSDB na petição e ter
PT, supostamente o grande vilão da história. Isso sugere que se eles
estão de acordo com a petição, é porque sabem que o pulo do gato" não
vai ser ameaçado. Quanto ao PSDB, teoricamente o mais interessado, está
totalmente de fora. No mínimo, estranho.
A outra questão refere-se ao BU, que tem grande peso nas fraudes e é
mais importante até que o voto impresso. Os BU pelo pocuo que sei
mostram que x eleitores compareceram e votaram x vezes... mas em quem?
Os BU nào provam quem votou em quem. Ou seja, ainda poderia haver uma
inversão na totalização dos votos. Ainda mais que não será permitida
a divulgação das pariciais por estado. As parciais ficam centralizadas
no computador central no TSE, em BSB, com fiscalização da ABIN, cuja
responsável é Yussef.
Ou seja, até que ponto as próximas eleições não estão já fadadas a
mostrar um resultado pré-determinado e/ou passível de manipulação via
computador central?
Beth
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