Sylvio,
Suas sugestões são boas, mas creio que inviáveis em função do custo e da
dificuldade de manuseio. São mais de 400 mil urnas em todo o Brasil (400 mil
vezes a quandidade de partidos, +/- 40 = 16 milhões de disquetes!). Por isso
eu acho mais viável a sugestão, já encaminhada ao TSE pelo Amilcar (através
de um partido) de disponibilizar esses resultados na Internet. Aí qualquer
partido ou até mesmo qualquer cidadão poderia ter acesso e fazer as
totalizações que quisesse.
Chadel
A respeito de [VotoEletronico] Re: [VotoEletronico] Re: [VotoEletronico]
Questões e considerações,
em 12/06/2006, 17:21, Sylvio Montenegro escreveu:
SM> Caros Amigos,
SM> Gostaria que o nosso debate procurasse efetivamente uma solução
SM> definitiva para a segurança de nosso sistema de votação.
SM> Pensei numa solução que acho resolveria boa parte de nossas
SM> desconfianças que são respaldadas em fatos e não em ufanismos.
SM> 01) Já todos de acordo que a impressão do voto e seu respectivo
depósito em urna é unanimidade;
SM> A partir daqui é que vem minha idéia que gostaria de por em discussão:
SM> 02) Cada partido, além dos BU receberia uma cópia do disquete no
fechamento da urna;
SM> 03) Cada partido em sua sede teria um computador totalizador com
SM> o respectivo software para leitura do disquete;
SM> 04) Os dados daí extraidos no computador do partido seriam então
confrontados com o do tribunal.
SM> Espero comentários dos diletos amigos e TUDO PELA DEMOCRACIA!
SM> Em 12/06/06, maneschy <[EMAIL PROTECTED] > escreveu:
SM> Amilcar/Beth,quero botar a minha colher na discussão.
SM> O PT acompanha a apresentação do sistema desde 1996, tudo bem. Mas é
SM> fundamental explicar a Beth, Amilcar, que inicialmente o PT
acompanhava os
SM> passos do TSE através do cidadão chamado Casagrande, assessor de José
Dirceu
SM> e muito próximo ao Silvinho (Land Rover. Casa Grande, muito mais do
que
SM> simples fiscal do PT, era um entusiasta das urnas eletrônicas,
'BATEDOR DE
SM> PALMAS' para o que a secretaria de informática do TSE fizesse, sem
falar no
SM> puxa-saquismo junto aos ministros do TSE - qualquer um - sempre
defendendo
SM> as urnas eletronicas. Um horror.
SM> Muito mais do que fiscal, Casagrande parecia mais um leão-de-chácara
das
SM> urnas eletrônicas - eternamente maravilhosas - segundo ele e seus
superiores
SM> imediatos no PT. Tanto que na reeleição do José Dirceu como presidente
do PT
SM> (em 2000?)José Dirceu não hesitou em usar urnas eletrônicas na eleição
SM> interna. Dando um aval - político e técnico - importantíssimo ao TSE.
É
SM> claro que ele, malandramente, não disse aos seus companheiros de PT
que
SM> eleição feita com urna eletronica, seja para o PT ou para clube de
futebol,
SM> ou sindicato, ou sei lá mais o quê, ou seja, eleição onde a urna
eletronica
SM> seja emprestada - não pode ser fiscalizada.
SM> Porque na regulamentação do TSE/TREs, é crime federal acessar ou tomar
SM> conmhecimento do software que é introduzido na urna, para a eleição
"de
SM> fora" onde os tres "emprestam" urnas eletronicas. Exatametne como é
crime
SM> federal para a eleição normal - feita de dois em dois anos.
SM> Ou seja, quando Dirceu e o PT optaram por fazer eleição interna com
urna
SM> eletrônica - que sempre foi elogiada pelos petistas sob o argumento de
que o
SM> partido sempre cresceu com o uso delas - ao contrário do PDT, que
sempre
SM> criou caso com informatica nas eleições.
SM> Por causa do Caso Proconsult inicialmente e atitudes absolutamene
suspeitas
SM> como a decisão do TSE/TRE do Rio de Janeiro de tirar o mapa da urna em
1986,
SM> mesmo ano em que foi criada a excrescência chamada comitê
interpartidário,
SM> uma forma naquele ano de burlar a lei (já revogada) que obrigava a
justiça
SM> eleitoral a entregar a cada partido, cópia da votação apurada cada uma
das
SM> urnas. Um dos antídotos que o PDT usou em 1982 para pegar e denunciar
a
SM> fraude da Proconsult.
SM> Muito antes do PT se preocupar com esse assunto, é fundamental lembrar
que
SM> na eleição presidencial de 1989 - a primeira direta para a presidencia
da
SM> república depois do fim da ditadura - muito antes dela, Brizola pediu
que o
SM> TSE contratasse um afirma îdônea, internacional, para fazer auditoria
do
SM> programa de totalização. Antes da eleição. Para que não houvesse
dúvida
SM> quanto a totalização do resultado da eleição. O TSE acatou? Lhufas!
SM> E Lula foi para o segundo turno com Collor por ter alcançado cerca de
453
SM> mil votos na frente de Brizola, em um eleitorado de 92 milhões. E
todos os
SM> pedidos de recontagem de votos foram solenemente ignnorados pelo TSE,
ao
SM> mesmo tempo em que o PT saía, aos gritos, dizendo: Lula ganhou de
Brizola!
SM> Lula ganhou de Brizola! E ficou por isso mesmo.
SM> Mesmo assim, Brizola apoiou Lula no segundo turno. O que o levou a
concluir,
SM> anos depois, como naquela fala dele que coloquei ontem aqui na lista,
que
SM> Lula também foi garfado - no segundo turno - desta vez em benefício do
SM> Collor. Enfim, como diria o próprio Brizola, essa história vem de
longe.
SM> Conheci o Forum do Voto Eletronico, criado pelo Amilcar, em 1998. E
SM> imediatamente comecei a colaborar. Porque minha convicção de que as
eleições
SM> são fraudadas no Brasil é anterior. Vivi 1982 dentro do PDT, vi o Caso
SM> Proconsult acontecendo. Trabalhava, nessa época, no jornal "O Globo",
depois
SM> de passar 10 anos no "Jornal do Brasil" e ter trabalhado na Radio
Jornal do
SM> Brasil onde conheci - e sou amigo até hoje - de Procópio Mineiro da
Silva.
SM> Em 1986, quando o TSE/TRE nos roubou o mapa da urna, unica forma de
conferir
SM> e produzir provas contra possiveis fraudes na apuração. E vi 1989,
quando a
SM> midia e os institutos de pesquisa manipularam de forma desbragada tudo
o que
SM> pudesse se relacionar a eleição, trabalhando pela candidatura de
Collor.
SM> Nesta época, estava de novo trabalhando no "Globo", só que nessa
ocasião,
SM> como redator da editoria política. Vi a campanha asquerosa das
organizações
SM> Globo para eleger Collor e prejudicar Brizola, em primeiro lugar, e
depois
SM> Lula - que não os assustava tanto. Foi uma luta de vida ou morte
contra
SM> Brizola e eles venceram.
SM> Empulhando, malversando a informação, denegrindo Brizola, fazendo o
que
SM> fosse possível para desconstruir a sua imagem de homem público. Não
SM> vacilaram em botar a filha dele no Jornal Nacional, drogada, falando
coisas
SM> desconexas, para atacar o político através do pai. E o PT, aolargo,
SM> aproveitando o trabalho sistemático da Globo em denegrir o Brizola,
para
SM> crescer politicamente. Nunca houve uma única palavra do PT em
solidariedade
SM> a Brizola- pela campanha nefasta da Globo.
SM> Apresentei Amilcar Brunazo a Brizola porque, desde o início, sabia que
SM> Amilcar e todos os listeiros do voto eletronico - que aos poucos fui
SM> conhecendo ao longo dos anos - tinham absoluta razão em cobrar a falta
de
SM> transparencia do processo eleitoral brasileiro. E sou solidario até
hoje.
SM> Brizola deu total e integral apoio à luta do Forum do Voto Eletronico.
SM> Dedicou uma vez um programa nacional de ra´dio e TV do PDT a questão
do voto
SM> eletronico. Também fez um tijolão sobre o assunto. Sempre ajudou e
SM> formalizou o apoio dele à causa, tornando Amilcar fiscal do processo
SM> eleitoral - designando-o como representante do PDT junto ao TSE. O que
SM> também sou, juntamente com a Cida.
SM> Enfim, se o PT começou a acompanhar a questão das urnas eletronicas a
partir
SM> de 1996 - é fundamental dizer que foi através do Casagrande e para
bater
SM> palmas para o sistema que nunca questionou. Também é importante frisar
que
SM> hoje o PT, a banda boa do PT, questiona as urnas eletronicas. E isso é
muito
SM> bom - um imenso avanço diante, por exemplo, da carta do Silvio
Pereira,
SM> então secretário geral do PT, esculhambando Amilcar porque este
questionava
SM> o uso de urnas eletronicas.
SM> Como eu e os integrantes da juventude do PDT, que fomos panfletar as
sessões
SM> eleitorais do PT onde eles estavam usando urnas eletronicas. É
importante
SM> lembrar também que nem todos no PT eram como o Casagrande.
SM> E o melhor exemplo desse comportamento correto, que hoje graças a Deus
é
SM> majoritário no PT, desde o início foi seguido pelo companheiro
Evandro,
SM> listeiro do voto eletronico, da direção regional do PT de Minas
Gerais.
SM> Evandro nunca deixeou de questionar as urnas e com argumentos técnicos
SM> sólidos, porq2ue ele é da área de informa´tica.
SM> Enfim, se hoje o PV tambem está entrando nessa briga, é graças ao
trabalho
SM> do Amilcar e da Cida. E um pouco de todos nós porque hoje o Forum do
Voto
SM> Eletronico criado pelo Amilcar´já é uma realidade que ultrapassa até
as
SM> fronteiras do Brasil. Estão aí a Marian, o professor Pedro Rezende e
outros
SM> que não me deixam mentir.
SM> Enfim, é uma luta antiga e grande. Da qual muitos participam e
colaboram e
SM> acho ótimo que voce ajude também. Grande abraço.
SM> On Mon, 12 Jun 2006 04:42:16 -0300, Amilcar Brunazo Filho wrote
>> Beth,
>> O PT foi o primeiro partido a acompanhar a apresentação dos sistemas
>> do TSE, desde 1996. O PDT começou a participar em 2000 e agora em
>> 2006 começou o PV.
>> Estou me referindo ao acompanhamento verdadeiro, por meio de
>> técnicos em informática que comparecem diversas vezes para ver os
>> códigos do sistema, apresentam questões e petições, etc.
>> Não conto como acompanhamento quando outros partidos, entre eles o
>> PSDB, enviam um advogado na palestra inaugural de abertura dos
>> trabalhos ou apenas no momento final de assinatura da ata geral da
SM> lacração.
>> Normalmente estes advogados dos outros partidos, que ignoram 100% da
>> questão técnica relativa aos programas, aparecem por lá nas horas
>> festivas, mostram-se muito simpáticos com aos juízes do TSE, dão
>> entrevistas à imprensa covalidando o que não viram e vão embora
>> felizes por ter "participado da auditoria dos sistemas".
>> Não mais do que isto é a participação histórica do PSBD. A omissão
>> deste partido em conhecer o sistema é de cunho interno. Lá dentro
>> tem muito fiel do Santo Baite que acredita que o sistema eleitoral
>> eletrônico é invulnerável.
>> Se lembre que este sistema foi integralmente criado e implantado no
>> TSE entre 1994 (quando assumiu o Min, Velloso) e 1996 (quando se
>> usou as urnas-e pela primeira vez). E tudo isto aconteceu sob o
>> primeiro governo FHC, inclusive a disponibilização de verba de meio
>> bilhão de dolares numa época em que governo cortava despesa de todo
>> o lado.
>> Foi justamente porque o PT desconfiava que o PSDB estivesse armando
>> uma arapuca eletrônica para reeleger o FHC, que o PT passou a
>> acompanhar o desenvolvimento do sistema e hoje tem conhecimento
>> profundo dele.
>> O PT e o PDT são os únicos partidos que tem gente técnica com
>> conhecimento completo (ou quase) do funcionamento do sistema. Agora
>> o PV também está se preparando (o relatório de Guarulhos foi escrito
>> por um representante técnico do PV que já está se adiantando no
>> conhecimento dos detalhes sistema)
>> Eu sei que muitas pessoas anti-lula começaram somente agora a se
>> preocupar com possível fraude na eleições principalmente por causa
>> das pesquisas onde o Lula dispara e o Alckimin, picole de xuxu, só
derrapa.
>> Como entre nós da classe média é difícil encontrar pessoas dispostas
>> a votar no Lula, fica tudo muito estranho.
>> Agora alguns esclarecimentos sobre BU e totalização.
>> Os Boletins de Urnas são documentos emitidos por cada urna-e ao
>> final da votação às 17 h. São impressos, para fiscalização, e
>> também são gravados em disquete para transmissão do resultado para
>> os computadores de totalização nos Cartórios Eleitorais.
>> Cada BU mostra os votos que cada candidato teve naquela urna-e,
>> Contém também os votos nulos e brancos, o total de comparecimento e
>> abstenção e informações sobre a carga da urna.
>> Os fiscais dos partidos deveriam recolher as vias impressas dos BU
>> para fazerem o que se chama de Totalização Paralela, auditando,
>> desta forma a totalização oficial.
>> O BU impresso, com as assinaturas dos mesários, é documento de prova
>> oficial e pode ser usado no caso de troca dos resultados de alguma
seção.
>> Acontece que na prática nenhum partido consegue recolher 100% dos BU
>> impressos em todos as cidades e estados. São uns 400 mil BU. Assim,
>> ninguém faz de fato uma auditoria da totalização completa,
>> especialmente para presidente.
>> Até 2002 (tempo do FHC), apenas uma via do BU impresso era dado
>> primeiro fiscal de partido que aparecesse. Acabava que um partido
>> ficava com uma parte dos BU e outros partidos com outras partes e
>> nenhum deles ficava em condições de auditar a totalização e
>> comprovar fraudes que porventura descobrissem (como no Caso Rio 2002).
>> Por insistência do PDT (mais especificamente, por insistência minha
>> e da adv. Maria Aparecida Cortiz), em 2004 (eleição municipal) as
>> urnas podiam emitir até 9 cópias impressas dos BU para serem
>> entregues aos fiscais.
>> Agora em 2006, a coisa retrocedeu e o Art. 42 da Res. TSE 22.154
>> volta a destinar uma cópia do BU impresso ao "representante do
>> comitê interpartidário" e nenhuma outra via aos fiscais dos partidos.
>> Eu e a Cida já apresentamos 3 petições no TSE, em nome do PDT, para
>> tentar reverter este quadro. O PT mandou seu representante conversar
>> com o ministro relator das resoluções, mas não entrou com petição
>> formal. O PV tomou conhecimento do problema mas ainda não se mexeu.
>> Já enviei recados, por intermediários, ao PSBD, ao PFL, ao PSB, ao
>> PRONA, ao PSOL e ao PP. Não fui procurado de volta para explicar o
>> problema por nenhum deles.
>> A questão dos testes de penetração foi combinada por mim com os
>> representantes técnicos do PT e do PV. O do PV demorou para
>> conseguir autorização dos advogados do partido e acabou ficando de
>> fora do primeiro pedido, mas seu represenatnte técnico ainda está
>> tentando entrar com petição similar.
>> Volto a lhe lembrar, que o teste de penetração NÃO É UMA AUDITORIA
>> DA APURAÇÃO DOS VOTOS, nem a susbtitui. Apenas serve para demonstrar
>> que existem falhas de segurança no PROJETO do sistema. Só isto. Não
>> indica se houve ou se haverá fraude. Se o teste encontrar falhas,
>> demonstra apenas que PODERIA ocorrer ataques visando fraudar a
>> apuração dos votos nas urnas-e.
>> Quanto a questão dos computadores de totalização.
>> A totalização nesta eleição será feita em cada TRE estadual. O TSE
>> só receberá a apuração dos votos para presidente de cada estado (27)
>> e somará estes 27 números para apresentar o resultado final.
>> Assim, o grosso da fiscalização da totalização deve se concentrar
>> nos Estados e nos cartórios eleitorais de cada cidade, recolhendo o
>> máximo número de BU impressos e conferindo se eles chegaram intactos
>> ao totalizador dos TRE.
>> Para isto, ajudaria muito se houvesse varias vias do BU impresso
>> disponíveis aos fiscais e se os BU digitais recepcionado pelo
>> totalizador do TRE fossem apresentados na Internet. Aí ficaria bem
>> mais viável para um partido auditar de fato a totalização.
>> Mas como o desinteresse por estas duas causas (lutar para se dispor
>> os BU impressos e os digitais) é geral nos partidos políticos,
>> exceto o PDT, vai ficar dificil alguém conferir a totalização.
>> Os representantes que os partidos vão enviar ao TRE para acompanhar
>> a totalização, como sempre ocorre, serão advogados sem noção dos
>> detahes do processo informatizado de apuração/totalização, muito
>> simpáticos com os juízes e desembargadores a ponto de conseguirem
>> até umas mordomias como uma sala confortável com ar condicionado,
>> cafezinho e até whisky para os mais chegados. Não se importarão em
>> ficar de fora da sala onde operam os computadores de totalização
>> "porque ficaria muito apertado".
>> Não vão fiscalizar nem auditar absolutamente porra nenhuma, mas
>> telefonarão aos seus diretórios estaduais informando alguns dados
>> que não aparecem no telão, como as cidades que já foram apuradas