Arthur Buchsbaum: Não gostei da expressão alucinógeno vagabundo da mensagem abaixo. Não se deveria julgar o que não se conhece, baseado apenas em preconceitos oriundo do mundo acadêmico ou de posturas cientificistas, isto não tem nada a ver com Ciência.
João Marcos: Também não tem nada a ver com ciência adotar a postura inteiramente *crédula*, sem nenhum pé atrás. Arthur Buchsbaum: Nós já conversarmos a este respeito nesta lista há alguns meses atrás. Eu assumi ser receptivo a certas idéias ou ter algumas crenças, por alguns motivos que detalhei anteriormente, mas tu tampouco és diferente neste sentido. Tu também assumes diversas idéias sem qualquer comprovação científica ou de outra natureza. A única diferença é que as mesmas são um modismo presente do mundo acadêmico, pertencem a um tipo de ideologia dita "cientificismo", a qual, mesmo não tendo nada a ver com ciência, possui para muitos um "molho científico". Isto enquanto que algumas crenças que professo não são bem vistas por muitos nas academias de hoje, mas modismo não tem nada a ver com a verdade em si. Se modismo fosse sinônimo de verdade, então o nazismo de dezenas de anos atrás seria uma verdade, mas revelou-se uma catástrofe coletiva. João Marcos: O que direi aqui não diz respeito em absoluto àquilo que você escolhe espontaneamente ter como parte da sua vida, e em particular às substâncias psicotrópicas que você escolheu provar ou deixar de provar, e que talvez um dia possamos todos provar juntos, em uma cerimônia religiosa ou festa. Discutíamos ciência (e religião, e até um pouquinho de lógica); voltarei a este assunto brevemente então. Arthur Buchsbaum: Isto é outra crença que assumes dentro deste espírito cientificista. Estas afirmando algo sem qualquer base. Se eu consumisse quaisquer substâncias ditas psicotrópicas, eu estaria sofrendo diversas conseqüências em minha saúde, o que não é o caso. Pelo contrário, minha saúde está cada vez melhor. Existem aliás diversas pesquisas que comprovam que a Ayahuasca é inofensiva à saúde. João Marcos: Não voltarei a discutir tais assuntos publicamente após isto, porque realmente me parece que vamos nos afastando perigosamente do objetivo central desta lista. Arthur Buchsbaum: Que não me acusem de ter desviado esta lista do seu tema central, pois já haviam dezenas de mensagens no tema Deus e Crenças antes de eu ter me manifestado. Arthur Buchsbaum: Há sete anos, desde agosto de 2002, eu bebo, pelo menos duas vezes por mês, um chá de mariri (um cipó) com chacrona (um arbusto do qual são aproveitadas as folhas), chamado por muitos de Ayahuasca (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ayahuasca), que é uma bebida de duas plantas sagradas utilizadas há milênios por várias sociedades indígenas das Américas do Sul e Central. Chamamos tal bebida de enteógena (http://pt.wikipedia.org/wiki/Enteógeno), e não de alucinógena. É usada em um contexto religioso, para aumentar o estado de concentração mental, importante para tomar consciência de estados íntimos e de assunto pertinentes à nossa relação com o Universo e com o Todo. João Marcos Como os verbetes em português parecem fraquíssimos, parciais e bem pouco "científicos", eu recomendaria fortemente neste caso, ao invés, os verbetes em inglês (que também não são perfeitos): http://en.wikipedia.org/wiki/Entheogen http://en.wikipedia.org/wiki/Ayahuasca Arthur Buchsbaum: Citei verbetes em português porque esta lista é de falantes da língua portuguesa. João Marcos: Estes verbetes me parecem esclarecer bem melhor a definição de "enteógeno" como uma substância psicoativa, muitas vezes de fundo "natural", usada em um contexto chamânico ou religioso (substâncias sintéticas chamadas de enteógenas também existem, como o LSD). O termo foi escolhido principalmente para estabelecer a distinção entre "usos religiosos" e "usos recreativos" (ou mesmo "usos terapêuticos") das mesmas substâncias. É quase uma distinção que diz mais respeito à "correção política" do que a qualquer outra coisa. Arthur Buchsbaum: A intenção ou contexto de uso de uma substância faz uma boa parte da diferença, e o outro fator é a composição em si da mesma. Onde eu freqüento há pessoas de todas as profissões e classes sociais. Até mulheres grávidas, durante todo o período de gravidez, tem usado este chá (Ayahuasca) sem quaisquer problemas e gerado crianças perfeitamente saudáveis. Não conheço um caso sequer de alguma criança que tenha nascido com quaisquer problemas de tais mulheres, e tenho acompanhado o desenvolvimento de várias delas, pois frequento lá há sete anos. Também observo crianças pré-adolescentes que bebem este chá em torno de uma vez por mês, sem quaisquer problemas. Arthur Buchsbaum: Não deve ser confundindo com drogas de qualquer espécie, pois o uso da Ayahuasca, especialmente em um ritual religioso, não desenvolve vício ou tolerância. Não há dependência, pois nenhum usuário fica com dependência fisiológica ou emocional de qualquer tipo. Eu conheço aliás gente que usou este chá por anos, mas depois, por razões pessoais, deixou de utilizá-lo, sem quaisquer problemas. Tampouco desenvolve tolerância, pois não é requerido um aumento de quantidade para obter o efeito desejado de concentração mental. No meu caso, por exemplo, bebo hoje cerca de metade da quantia que eu bebia quando comecei, há sete anos. João Marcos: Estes comentários não parecem ser suportados por qualquer tipo de base *científica*, tal como experiências controladas e reprodutíveis, preferencialmente publicadas amplamente em periódicos com revisão por pares. Arthur Buchsbaum: Existem diversas pesquisas a este respeito; onde eu frequento houve mais uma delas, conduzida por um pesquisador dos Estados Unidos. João Marcos: Trata-se da sua *opinião* e da sua história *pessoal*, que devemos, claro, levar em consideração. Arthur Buchsbaum: É a minha vivência de já sete anos, e também de toda uma comunidade que conheci neste período. João Marcos: Não obstante, simplesmente não parecem haver sido feitos estudos suficientes a respeito, para que qualquer afirmação deste tipo sobre dependência, tolerância ou efeitos colaterais (ah, que bom se existisse um "soma") possa ser feito. Arthur Buchsbaum: Entre os "brancos" (refiro-me às pessoas não integrantes de grupos indígenas) a Ayahuasca é utilizada, no Brasil por exemplo, há dezenas de anos. Hoje o seu uso está bem difundido no Brasil, em praticamente todas as capitais e cidades maiores existem lugares com uma distribuição responsável deste chá. Entre vários grupos indígenas o seu uso data de milênios. Não conheço qualquer relato de efeitos nocivos ou danos à saúde.
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