Legal, Julio. E não esqueça o livro do Devlin "Goodbye Descartes: the end of 
logic and the search for a new cosmology of the mind", excelente. Ele também 
acha que devemos partir para outra, como sugere o Manin. A propósito, a frase e 
a história são as seguintes: em 1974, a AMS juntou um bando de matemáticos, 
físicos, físicos-matemáticos, para uma avaliação do que havia sido feito em 74 
anos sobre os 23 Problemas de Hilbert. Havia até Prêmios Nobel. O que resultou 
foi uma nova lista de Problemas da Matemática Atual. O primeiro deles é sobre 
fundamentos da matemática, e foi elaborado pelo Manin. Ele propõe a elaboração 
de uma teoria de "conjuntos" (as aspas são dele) que leve em conta a mecânica 
quântica, onde coleções de objetos quânticos não seriam vistos como conjuntos 
de ZF. Foi o que busquei fazer com os quase-conjuntos. Tudo isso está no meu 
livro com S. French, já falado aqui. Ele começa assim: "In accordance with  
Hilbert's prophecy, we are living in Cantor's paradise. So we are bound to be 
tempted. (...) [e termina] The twentieth century return to Middle Age 
scholastics taught us a lot about formalisms. Probably it is time to look 
outside again. Meaning is what really matters".  Ficar só no formalismo me 
parece pouco, ainda que alguém possa ser formalista...
D

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Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil
deciokrause[at]gmail.com
www.cfh.ufsc.br/~dkrause
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Em 28/01/2013, às 11:08, Julio Lemos escreveu:

> Caro Marcelo e todos,
> 
> Esse experimento é chamado de Wason Selection Task, com referência a P. C. 
> Wason, que o publicou. Também o vi referido em dois livros, recentemente, mas 
> com omissão da segunda parte (o exemplo no bar). Professores de lógica também 
> costumam falhar no teste. Ele é usado normalmente em favor do argumento de 
> que não estamos 'evolutivamente' aparelhados para a lógica formal (ou melhor, 
> que a lógica é contra-intuitiva em alguns casos -- como ilustra o caso da 
> implicação), problema que é discutido pelo mesmo Y. I. Manin em um dos 
> primeiro capítulos de A course in mathematical logic, referido há pouco pelo 
> Prof. Décio.
> 
> O Keith Devlin o costuma mencionar sempre esse experimento em suas aulas.
> 
> Abraços
> Julio Lemos
> 
> 2013/1/27 Marcelo Finger <[email protected]>
> Caros.
> 
> Sobre ENSINAR conjuntos como abstrações puras ou com analogias ao mundo
> real, acho que defender intransigentemente a visão de abstração pura um
> idealismo que JAMAIS será obtido.
> 
> Apresento, para fundamentar a minha opinião, um experimento realizado por
> Leda Cosmides (U. Calif @ Sta Barbara).  Ela apresentou a um grupo de
> pessoas o seguinte problema:  Suponha que v tenha um cj de cartas, em que
> em uma face há uma letra e na outra um número.  Suponha que temos a regra:
> "toda vogal deve ter um número par no outro lado".  Sobre a mesa temos
> quatro cartas, mostrando as seguintes informações: A, C, 3 e 6.  Pergunta:
> quais cartas devem ser inspecionadas para verificar que a regra está sendo
> respeitada?
> 
> A maioria das pessoas ERROU, dizendo que precisava verificar só a primeira
> carta ou a primeira e a última.  A resposta certa é a primeira e a terceira.
> 
> As mesmas pessoas foram apresentadas a outro problema.  Num bar, há pessoas
> maiores e menores de 18 bebendo bebidas com ou sem álcool.  Temos quatro
> pessoas: um menino de 16 anos, um vovô, um pessoa bebendo cerveja e outra
> um suco de laranja.  Pergunta: quais pessoas precisam ser inspecionadas
> para garantir que menores de 18 anos não podem beber bebida alcoólica.?
>  Neste caso, praticamente TODOS acertaram.
> 
> Acontece que os dois problemas são o mesmo.  E a conclusão é a de que o
> cérebro humano é talhado especialmente para raciocinar sobre situações de
> cumprimento de regras sociais, e tem mais dificuldade (mas não
> impossibilidade) para lidar com abstrações.
> 
> Se v busca didatismo, o caminho que passa por instanciações com situações
> sociais, apesar de violar a "pureza" da abstração intransigente, é um
> atalho com forte atrativo para ENSINAR SERES HUMANOS em geral.  As
> primeiras vezes que as crianças ouvem falar em conjunto, elas só vão
> entender se realizarem analogias.  Alguns anos depois da familiarização do
> conceito a analogia pode ser esquecida, o que leva a alteração do próprio
> conceito inicialmente "entendido" (o conceito primário de conjunto
> dificilmente envolve infinitude, densidade, indução, etc).   Razões
> evolutivas para isso não faltam.
> 
> Abraços
> 
> Marcelo
> 
> PS: Eu já vi este experimento mencionados em pelo 3 livros: "The Tipping
> Point" de Malcolm Gladwell, "Grooming, Gossiping and the Origin of
> Language", de Robin Dunbar, e tb em algum dos livros do Steven Pinker, acho
> que "The Language Instinct".
> 
> 
> 
> 2013/1/27 Décio Krause <[email protected]>
> 
> > Touché, JM.
> >
> >
> >
> > ------------------------------------------------------
> > Décio Krause
> > Departamento de Filosofia
> > Universidade Federal de Santa Catarina
> > 88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
> > http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause
> > ------------------------------------------------------
> >
> > Em 26/01/2013, às 13:28, Joao Marcos <[email protected]> escreveu:
> >
> > > A inferência se trata de um entimema.  A premissa oculta neste caso
> > > poderia ser "elementos de conjuntos são entidades abstratas".
> > >
> > > Pode ser que Hrbacek e Jech não concordem com esta premissa.  Outros
> > > autores concordariam.
> > >
> > > Esta é uma dificuldade usual de se escrever "textos básicos".  Até
> > > sobre o que é "básico" (como a própria definição de "lógica") é
> > > possível as opiniões diferirem, sem que nenhuma delas seja
> > > necessariamente idiota.
> > >
> > > JM
> > >
> > > 2013/1/26 Rodrigo Podiacki <[email protected]>:
> > >> "O autor chega a sugerir que um grupo de pessoas é um conjunto. Logo,
> > >> pode-se inferir, pessoas são entidades abstratas."
> > >>
> > >> Que inferência é essa? Se um grupo de determinadas coisas é um conjunto,
> > >> isso significa que as coisas que formam esse grupo também são um
> > conjunto?
> > >> O grupo é abstrato, mas não seus elementos. Isso é demasiado básico, e
> > >> lamentável é eu ter que dizer isso para um professor de lógica.
> > >>
> > >> "A set is any collection, group, or conglomerate. So we have the set of
> > all
> > >> students registered at the City University of New York in February 1998,
> > >> the set of all even natural numbers [...], the set of all pink
> > elephants.
> > >> [...] the set of all molecules in a drop of water is not the same
> > object as
> > >> that drop of water."
> > >>
> > >> -- Karel Hrbacek e Thomas Jech, *Introduction to set theory*. p. 1.
> > >
> > > --
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> Julio Lemos, PhD
> Formal Logic / Philosophy of Law
> University of São Paulo

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