Um comentário antes: eu falei sobre "iniciativas women-only", mas não disse
que é na área de TI. Em alguns outros casos acho muito válido.

2010/9/30 Fabiana goa <fabiana....@gmail.com>

> Claro que você acha tosco né.. menos uma possibilidade de estar num espaço
> onde os machos se destacam.


Não, não vejo porque isso seria bom.

Aposto que vc tb é contra cota pros negros né? Assim a universidade fica
> cheia de branco.


Não, sou totalmente a favor.

Como eu insinuei (dizendo que "a realidade é mais profunda"), a razão de
exisitirem poucas mulheres em TI é bem complicada de determinar. Existem
algumas pesquisas sobre isso, e algumas apontam pra uma afinidade intrínseca
da mulher, não biológica, mas por uma combinação social que cai naquilo que
Krishna citou (homens gostam de coisas, mulheres de pessoas). Outras
pesquisas apontam simplesmente pra uma escolha da profissão mesmo, que não
combina com o perfil da maioria das mulheres. Pessoalmente, não tenho
nenhuma base pra achar que uma teoria está mais certa que a outra. Pode ser
até que as duas estejam erradas.

Mas o mais importante é tentar mudar isso. Fabiana, eu achava que o objetivo
das mulheres de TI em fazer coisas women-only era aumentar o número de
mulheres na área. Eu não vejo como o Outreach ou eventos de TI women-only
vão fazer isso, são eventos pra quem já está na área! A melhor maneira de
aumentar o número de mulheres é aumentá-lo na graduação, no mestrado, no
doutorado. Outra boa campanha é tentar acabar com o preconceito no trabalho
e na faculdade, que já deu pra ver por aqui que existe.

O que o Outreach faz é aumentar o número de mulheres em projetos open source
(sim, isso deve acontecer). Mas será que se você aumentar 10% de mulheres na
área, não teríamos 10% a mais de mulheres no GSoC? Claro que cai na questão
do longo prazo. Mas enfim, o que estou querendo dizer é: o Outreach pega
mulheres que já estão na área, fazendo outras coisas (ou até mesmo software
livre), e aumenta a participação delas no SL. Simplesmente não resolve o
problema.

Agora, se as mulheres vêem esses eventos como oportunidades de se sentir
bem, têm meu apoio. Eu só não sabia que era isso. E não me entendam mal
aqui, não estou falando que só assim elas conseguem se destacar ou algo do
tipo, falo da oportunidade de não serem atingidas pelo preconceito.

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Thiago Freire
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