Gostaria de compartilhar algumas impressões pessoais sobre as questões
de gênero: independentemente da acurácia da pesquisa ou de sua
extrapolação, é visível a pouca participação de mulheres no projeto (e
bem como o Abdo lembrou, em tantos outros).

Eu acho que é muito difícil identificar as causas centrais, mas acho
que as causas não estão apenas na Wikipédia. Mas como nos cabe pensar
o que podemos fazer para mudar aqui, também não adianta tentarmos
atuar sobre razões distantes de nossos alcances.

Eu acho que a primeira pergunta a fazer é: por que é importante
reduzir a desigualdade de gênero? Primeiro, porque é importante que as
mulheres tenham o direito de participar desses processos se quiserem e
não se sintam intimidadas (pelo motivo que for). E, segundo, que a
participação feminina pode contribuir muito não só pro ambiente, como
em situações decisivas (ex. no Conselho de regulamentação de
publicidade, composto só por homens, eles concluíram que a propaganda
da schincariol não fazia apologia à violência sexual - não sei se
viram o caso, mas a propaganda sugeria a dieta do sexo e dizia que se
gasta mais caloria quando o sexo não é consentido).  Em debates sobre
determinados conteúdos controversos, por mais imparciais que tentem
ser, um olhar feminino pode contribuir para que ele não reforce uma
visão masculina.

Poderíamos elencar N outras razões, mas para efeito de argumentação o
que quero dizer é que, se os motivos não são claros, reduzir a
desigualdade de gênero por reduzir a desigualdade de gênero não é lá
muito estimulante.

Dito isso, o esforço precisa ser conjunto: de um lado, acho que é
importante que as mulheres se organizem e mobilizem para atingir esses
objetivos, de maneira sistemática, e criando sua própria forma de
lidar com o ambiente - ou seja, evitando reproduzir as supostas
"práticas masculinas" (não me agrada muito esse tipo de
caracterização, e acho que há problemas em separar as coisas assim,
mas me refiro a "fulano foi meio grosseiro, então também vou responder
com grosseria" ou coisa que o valha) para se imporem.

A segunda questão é a persistência. A vida é feita de avanços e
recuos, mas as conquistas se dão na perseverança. Não me sinto com
elementos pra analisar se há tratamento diferenciado na Wikipédia -
pode até ser que haja. Mas talvez a recepção seja mais diferenciada.
Talvez os meninos sejam criados ouvindo o amiguinho chamá-lo de idiota
desde pequeno e, goste ou não, se acostuma mais com isso. Não conheço
uma pessoa que goste de ser aloprada, mas conheço quem não ligue. E aí
é que está: tirarmos da nossa cabeça que a grosseria do outro é um
problema nosso (ou conosco - e que a culpa é nossa) é importante pra
seguir em frente - não ignorando propriamente, mas não deixando que
determinadas atitudes nos paralisem.

Por fim, na Campus Party, houve um debate sobre mulheres em TI,
organizado por um homem, que foi um momento interessante. Participamos
- e Béria falou da experiência como colaboradora da Wikipédia e de
reflexões dela. Me assustou muito um discurso feito por uma outra moça
relativamente famosa no mundo de TI, dizendo que as mulheres deviam
aproveitar que eram poucas para se destacarem. O motivo do incômodo é
porque, por trás desse discurso, tem a premissa de que, se não formos
minorias, não nos destacaremos - então corremos o risco de
incorporarmos a dinâmica e pensarmos que "quanto menos mulheres,
melhor"? Não acho que ela teve a intenção de dizer isso, mas acho que
falta amadurecimento da questão no âmbito coletivo ainda.

Beijos e abraços
Oona



2012/8/9 nevio Carlos de alarcão <nevinhoalar...@gmail.com>:
> Enquanto discutem isso, as mulheres americanas mostram aos homens americanos
> como jogar futebol: tetra campeã olímpica... =)
>
> Em 9 de agosto de 2012 16:48, Fabio Azevedo <faz...@gmail.com> escreveu:
>
>> Jo,
>>
>> Eu também fiquei chocado com esse número. A única explicação que
>> encontrei foi: fizeram um estudo e concluíram que 9% da wikipédia é
>> mulher e 91%, homem. Depois pegaram o número total de contas criadas
>> na Wiki.en, que é 17 milhões (na wiki.pt é um milhão) e consideram que
>> cada conta criada, mesmo que nunca tenha editado, é um editor
>> diferente e consideraram que a relação homem/mulher obtido na pesquisa
>> deles é exatamente a mesma relação que aparece entre as contas
>> criadas. Se for isso, toda a confiabilidade que se poderia depositar
>> nesse estudo fica comprometida.
>>
>> Fabio
>>
>> Em 9 de agosto de 2012 12:09, João <jolo...@gmail.com> escreveu:
>> > Esse infográfico é meio furado, informa ao final que o universo da
>> > pesquisa
>> > são 15 milhões e meio de males e 1,5 milhão de females, nem dá para
>> > acreditar, onde encontram esses números? Se a Wikipedia em todos os
>> > idiomas
>> > tiver uns dez mil editores/editoras ativos é muito.Furada.
>> >
>> > Nessa, eu edito lá desde 2005, nunca vi ninguém se vangloriando de
>> > apagar um
>> > artigo que seja, ao contrário, quem faz mais artigos( originais e sem
>> > utilizar robots e baseados nas regras ) é que tem mais respeito da
>> > comunidade. Não sei específicamente o que ocorreu com você, mas é uma
>> > pena
>> > que se sinta assim.
>> >
>> > Jo Lorib
>> >
>> > Em 9 de agosto de 2012 11:56, Nessa Guedes <vanessaguede...@gmail.com>
>> > escreveu:
>> >
>> >> Aliás, eu também sempre sou muito cuidadosa para não pensar que a
>> >> perseguição é comigo, ou porque eu sou mulher. Já temos problemas
>> >> demais nas
>> >> pessoas nos julgarem o tempo inteiro - na faculdade de física era muito
>> >> cansativo, eu nunca abria a boca sem ter a certeza de que eu sabia 5x
>> >> mais
>> >> do que o resto sobre determinado assunto, porque o tempo inteiro
>> >> precisava
>> >> provar que era melhor que todos para poder ter o mesmo direito de
>> >> 'aparecer'
>> >> ou falar do que meus colegas que eram medianos -, mas no fim das contas
>> >> nada
>> >> deve ser coincidência.
>> >>
>> >> Uma reclamação que escuto sempre, no mundo offline dos wikipedistas
>> >> brasileiros, é que a comunidade usa de se vangloriar por quem tem mais
>> >> artigos apagados por aí. Que tipo de política é essa? Melhor apagar
>> >> artigos
>> >> do que tutelar novos usuários e usuárias?
>> >>
>> >> Acho de um elitismo intelectual sem tamanho.
>> >>
>> >>
>> >>
>> >> ---
>> >>
>> >> Nessa Guedes - @nessoila
>> >>
>> >> Enviado do meu Tamagoshi.
>> >>
>> >>
>> >>
>> >>
>> >>
>> >>
>> >> Em 9 de agosto de 2012 11:51, Nessa Guedes <vanessaguede...@gmail.com>
>> >> escreveu:
>> >>
>> >>> Sim, isso acontece mesmo.
>> >>>
>> >>> Contribuo muito muito pouco, e quando tentei criar artigos, fiquei
>> >>> dois
>> >>> meses de bate-e-volta até que desisti. Joguei fora toda minha pesquisa
>> >>> e é
>> >>> isso aí.
>> >>>
>> >>> Eu queria ser mais ativa na contribuição, mas essa dificuldade em
>> >>> validar
>> >>> minha pesquisa sempre me faz ficar com preguiça, principalmente porque
>> >>> os
>> >>> editores portugueses são pomposos e chatos.
>> >>>
>> >>> Mas sempre pensei que isso acontecesse com todo mundo, e só usuários
>> >>> hard
>> >>> que conseguiam postar de fato suas contribuições - e eu não tenho
>> >>> tempo  de
>> >>> ficar de mimimi com moderador ad eternum. Independente do gênero.
>> >>>
>> >>> Agora, com essa declaração no infográfico, fiquei muito chateada, de
>> >>> verdade.
>> >>>
>> >>>
>> >>>
>> >>> ---
>> >>>
>> >>> Nessa Guedes - @nessoila
>> >>>
>> >>> Enviado do meu Tamagoshi.
>> >>>
>> >>>
>> >>>
>> >>>
>> >>>
>> >>>
>> >>> Em 9 de agosto de 2012 11:43, Carine Roos <carine.r...@gmail.com>
>> >>> escreveu:
>> >>>
>> >>>> "Female users are more likely to be blocked indefinitely on
>> >>>> Wikipedia"
>> >>>> - Achei isso bem preocupante e sexista.
>> >>>>
>> >>>> Precisamos pensar em ações e projetos que incluam mais as mulheres.
>> >>>> Os
>> >>>> dados são críticos.
>> >>>>
>> >>>> Em 9 de agosto de 2012 11:28, Nessa Guedes
>> >>>> <vanessaguede...@gmail.com>
>> >>>> escreveu:
>> >>>> > Não entendo como trabalhar com cotas dentro da mecânica da
>> >>>> > wikipédia.
>> >>>> > (só um
>> >>>> > adendo, não estou acrescentando no debate aqui)
>> >>>> >
>> >>>> > A questão é cultural, mas a a academia tá aí cheia de pesquisadoras
>> >>>> > na
>> >>>> > graduação, se o uso de wikis nas universidades fosse melhor usado,
>> >>>> > talvez o
>> >>>> > gap brasileiro não fosse tanto.
>> >>>> >
>> >>>> > Não li o artigo compartilhado ainda, mas sendo uma média mundial os
>> >>>> > 9%, não
>> >>>> > consigo pensar em uma ação que contemplasse todos os países. Cada
>> >>>> > um
>> >>>> > tem
>> >>>> > seus próprios problemas, e se tratando do ocidente, a questão do
>> >>>> > gênero é
>> >>>> > uma constante por conta de uma rede estruturalmente sexista que
>> >>>> > está
>> >>>> > colada
>> >>>> > na sociedade de tal forma que precisamos de ações de incentivo
>> >>>> > enormes
>> >>>> > para
>> >>>> > obter resultados que tentem equiparar os gêneros em várias escalas
>> >>>> > - e
>> >>>> > esses
>> >>>> > resultados não chegam nem a ser um arremedo do que era esperado, em
>> >>>> > quase
>> >>>> > todas as tentativas.
>> >>>> >
>> >>>> > Uma hora depois do trabalho eu vou tentar reunir um material
>> >>>> > mostrando
>> >>>> > números, para todos pensarmos juntos em como reparar os séculos de
>> >>>> > machismo
>> >>>> > e negação de acesso ao conhecimento para mulheres.
>> >>>> >
>> >>>> > Tendo menos de cinquenta anos de mulheres alfabetizadas e
>> >>>> > universitárias
>> >>>> > fica meio difícil bater esse gap do dia para a noite.
>> >>>> >
>> >>>> >
>> >>>> > ---
>> >>>> >
>> >>>> > Nessa Guedes - @nessoila
>> >>>> >
>> >>>> > Enviado do meu Tamagoshi.
>> >>>> >
>> >>>> >
>> >>>> >
>> >>>> >
>> >>>> >
>> >>>> >
>> >>>> > Em 9 de agosto de 2012 11:09, Ewout ter Haar <ew...@usp.br>
>> >>>> > escreveu:
>> >>>> >
>> >>>> >> hahaha, e ainda se perguntam porque só tem 9% de mulheres na
>> >>>> >> comunidade.
>> >>>> >>
>> >>>> >> Ewout
>> >>>> >>
>> >>>> >> (ou será que não peguei o caráter auto-referencial e irônico da
>> >>>> >> mensagem.... "wheels within wheels" e tal...? )
>> >>>> >>
>> >>>> >> 2012/8/8 Rodrigo Tetsuo Argenton <rodrigo.argen...@gmail.com>
>> >>>> >>>
>> >>>> >>> Saiu que temos apenas 9% de voluntárias [1], eu acho que estão
>> >>>> >>> errados e
>> >>>> >>> seria mais para 0,9%, e só está mais bonitin que o normal, mas é
>> >>>> >>> dados
>> >>>> >>> velho. Bom, esse não é o ponto, já pararam para pensar que se
>> >>>> >>> igualarmos o
>> >>>> >>> número de voluntários meninos e meninas, a gente praticamente
>> >>>> >>> dobraria o
>> >>>> >>> número de voluntários, tá, ia ter muito mais barraco e mais
>> >>>> >>> blablabla... :P
>> >>>> >>> (brincadeira meninas, mas com certeza o artigo do Brad ia ser
>> >>>> >>> melhor!)
>> >>>> >>>
>> >>>> >>> Acho que não precisamos de mais voluntáriOs, e sim de
>> >>>> >>> voluntáriAs!
>> >>>> >>> Mas
>> >>>> >>> sem cotas, como alguns tentam fazer, e sim entender como podemos
>> >>>> >>> atrair mais
>> >>>> >>> e nos meter naqueles tópicos de mulheres e tecnologia. O que
>> >>>> >>> acham?
>> >>>> >>> Bora
>> >>>> >>> igualar esse número?
>> >>>> >>>
>> >>>> >>> [1] http://mashable.com/2012/08/08/wikipedia-gender-graphic/
>> >>>> >>> --
>> >>>> >>> Rodrigo Tetsuo Argenton
>> >>>> >>> rodrigo.argen...@gmail.com
>> >>>> >>> +55 11 7971-8884
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