Colegas,

Sobre o uso de IA no ensino, eu tento estimular estudantes a brincar com 
LLMs; quem sabe isso melhora a motivação para estudar lógica? Configurei um 
(Gemini) Notebook para ser um robô monitor de uma disciplina minha bem 
básica de introdução à lógica para estudantes de ciências humanas. Fiz 
alguns testes com o Notebook e, avaliando suas respostas às minhas 
perguntas, se ele fosse candidato em uma seleção de monitores humanos, eu o 
teria aprovado. Então disponibilizei para a turma e estimulo o uso. Quem 
quiser pode dar uma olhada aqui:

https://notebook.google.com/notebook/1f011f9b-b10c-44ef-b0aa-8d6589c47fb4

No caso da minha disciplina, não há muita pressão sobre possíveis trapaças 
dos estudantes. Eles têm que fazer 2 provas presenciais sem consulta.

Sobre as questões mais profundas da IA, eu não tenho muito a acrescentar. 
Não sei se os LLMs são (ou serão) entidades conscientes, ou se são e sempre 
serão meros papagaios probabilísticos. Seja lá o que forem, o que ninguém 
pode negar é que eles têm competência linguística: reagem às nossas 
perguntas como se as compreendessem e nos dão respostas (a nós) 
compreensíveis. Às vezes erram, alucinam e dizem besteiras? Bem, e nós 
mesmos não fazemos isso?

Eu acho que meu robô monitor tem plena competência para tirar dúvidas das 
minhas alunas e alunos, e o risco dele dizer alguma bobagem errada não me 
parece muito maior do que o risco de eu mesmo dizer alguma bobagem errada 
para a turma.

Mas eu deixei o link aí em cima. Se alguém estiver com tédio, insônia ou 
procurando algum motivo para procrastinar algum trabalho importante, pode 
torturar o robozinho e depois me conta se ele passou no teste ou não. Eu 
agradeço.🙂 

Saudações,
Daniel.
─────────────────────────
Departamento de Filosofia - (UFRN)
https://www.danieldurante.net.br


Em sexta-feira, 21 de agosto de 2026 às 10:31:32 UTC-3, Joao Marcos 
escreveu:

> PessoALL:
>
> Também esta lista é um bom fórum público para discutirmos a *educação
> do futuro*, nem que seja do ponto de vista muito específico de
> formadores e educadores com interesse em _Ensino de Lógica_.
>
> Todo mundo já teve professores que são meros enganadores: não
> compreendem minimamente o que estão se colocando na função de ensinar.
> (Em algum momento, confesso, eu me regozijei com a invenção das LLMs,
> pois ela torna muito mais fácil ---bem, ao menos para os
> especialistas--- expor tais tipos de farsantes.)
>
> Muitos dizem que com as LLMs tudo isto vai mudar: sempre poderemos
> aprender mais fora da sala de aula, a partir de uma ferramenta capaz
> de elaborar uma síntese linguística capaz de simular (muito bem) o
> discurso de um especialista. Mais ainda, poderemos conversar
> _diretamente_ com um "especialista instantâneo artificial", no nível
> que desejarmos.
>
> Sob esta perspectiva, entendo que um dos objetivos da educação atual,
> em um "mundo inteligente", seria, em dois passos:
>
> (1) Preparar os estudantes para fazer "perguntas inteligentes".
>
> (2) Equipar os estudantes com conhecimento técnico, conceitual e
> metodológico suficiente para estes serem capazes de avaliar (buscando
> fontes, reconstruindo argumentos e procedimentos, indo atrás de
> contra-exemplos e explicações alternativas) e compreender uma resposta
> recebida, de modo a retornar de forma produtiva ao passo (1),
> recursivamente, caso ainda haja interesse.
>
> Resta-nos esclarecer, evidentemente, o que são "perguntas
> inteligentes" (o que envolve identificar problemas relevantes,
> formular perguntas cada vez melhores, decompor questões complexas), e
> descobrir de que formas podemos manter o interesse dos estudantes
> vivo.
>
> Muito importante, em um mundo em que a _aparência de conhecimento_ se
> tornou muito barata, os estudantes precisam ser capazes de *assumir
> compromissos epistêmicos próprios*, ao invés de simplesmente
> copiar-e-colar a resposta de uma LLM ("because the master said so").
> Quem determina, afinal, o que merece ser perguntado, e o que conta
> como boa evidência? Como lidar de forma honesta com dúvidas e erros?
> E quem é o _responsável epistêmico (e moral)_ pelas *conclusões* dos
> nossos argumentos?
>
> O que pensam os colegas sobre estas coisas?
>
> Saudações lógicas,
> João Marcos
>
> -- 
> https://sites.google.com/site/sequiturquodlibet/
>

-- 
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