Glauber Machado Rodrigues (Ananda) wrote:
Se eu ensinar alguém a programar com o eToys em Windows estarei
ensinando menos?

Estará. Pois se ensinasse perl ou elisp e ela tivesse dúvidas de como
uma coisa era implementada, ela poderia ler o fonte. E acredite as
pessoas leem os fontes. O Emacs torna isso muito fácil com a speedbar.

Errado. Porque tudo no eToys (e no Squeak, em que ele é feito) é inspecionável.

O fato dele rodar debaixo de Windows, Linux, BSD, Solaris ou "bare metal" é irrelevante para o seu uso educacional.

Qualquer computador moderno é uma altíssima pilha de elementos e vários deles (a começar pelo microcódigo do processador) são proprietários. Isso não torna inviável usá-los como ferramentas de trabalho e de ensino.

Se você vai dizer que depois eu vou fazer X, depois Y e depois
software livre, então o avanço só é possível com o software livre.

Errado de novo. Os três são avanços.

Mas que se originou livre. Nasceu livre. Aí veio a carta do Bill Gates
botando medo na galera e todo mundo se fechou. Mas a coisa ta voltando
pra onde veio.

Mais uma vez, errado. O universo do software cresceu como uma extensão do hardware. Você comprava um mainframe IBM e ele vem com uma licença do sistema e boa parte dos fontes, pra você olhar e mudar. Era uma cultura em que software não tinha um valor percebido.

O mesmo aconteceu com computadores pessoais - quem comprava micros sabia ler código e se interessava por programá-los.

Não foi a carta do Bill Gates que fechou o código (e, diga-se de passagem, a carta é justa: ele queria ser pago pelo trabalho que teve) - foi a criação de um mercado em que nem todos os usuários queriam ou sabiam ler código que criou o software como ele era mais ou menos até o boom da internet.

Não foi Stallman que tornou o software livre popular - foi o boom da internet, que permitiu a colaboração de muito mais programadores espalhados por muito mais lugares. Foi a criação de coisas como CVS, sourceforge e afins.

Sem isso, ainda estaríamos mandando disquetes e fitas pelo correio.

Eu comecei hackeando o DOS 3.3 do Apple II. Posso te dizer que dá pra
aprender muito sobre computadores mesmo quando o software deles é

Interessante, você acumulou todo esse conhecimento e o que mais? Parou
aí? Melhorou o Dos? Fez um patch, adicionou uma funcionalidade, passou
a comercializar o DOS?

Na verdade, eu fiz algumas melhorias sim no DOS 3.3 (estamos falando de Apple DOS, não de MS-DOS). E não - eu nunca vendi um disquete com minha versão adulterada.

O próprio DOS não precisou de uma licença proprietária para existir,
virou proprietário depois de pronto.

Ele era proprietário antes da MS comprá-lo. Não lembro de nenhum OS livre daqueles dias.

Tudo bem, vamos falar de liberdade?

O que você chama de "liberdade"?

Exageros e radicalismos, facilmente demolíveis em debates públicos, não
nos fazem nenhum bem.

Você acha que o avanço pode acontecer sem liberdade?

De novo, o que você chama de "liberdade"?


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